Durante anos, as minhas pausas tinham sempre um propósito. Uma pausa para respirar fundo e voltar ao trabalho com mais clareza. Uma pausa para comer rápido e continuar a reunião. Uma pausa para esticar as pernas e depois retomar a lista de tarefas. Tudo era instrumental. Tudo servia para me tornar mais capaz de fazer coisas.
Quando comecei a viver aqui, percebi que o tempo tinha uma textura diferente. Havia momentos em que não havia nada urgente a fazer. E isso era desconfortável. Sentia-me culpado por estar sentado sem fazer nada "produtivo". Achava que estava a desperdiçar o dia.
O banco do jardim
Em frente à casa onde vivo há um pequeno jardim partilhado com os vizinhos. Tem um banco de madeira velho, virado para o muro de pedra onde cresce uma trepadeira. Durante os primeiros meses, passava por ele todos os dias sem nunca me sentar. Um dia, depois de uma manhã de trabalho que me deixou com a cabeça cheia, decidi sentar-me ali durante dez minutos. Só isso.
Não levei o telemóvel. Não levei um livro. Não levei nada para fazer. Apenas sentei. No início, foi estranho. A mente continuava a correr, a fazer listas, a lembrar coisas que precisava de resolver. Mas aos poucos, o corpo começou a perceber que não havia nada para fazer. Os ombros desceram. A respiração mudou. O olhar fixou-se na trepadeira e nas pequenas flores que estavam a abrir.
Quando voltei para dentro de casa, não me senti "recarregado" no sentido em que as pessoas falam de pausas. Não estava mais pronto para trabalhar. Estava apenas mais presente. Como se tivesse voltado para o meu próprio corpo depois de ter estado ausente durante horas.
A pausa que não serve para nada é talvez a única que realmente serve para alguma coisa: lembrar que existimos para além do que fazemos.
O que acontece quando paramos sem objetivo
Percebi que a maioria das pausas que fazia antes eram, na verdade, interrupções disfarçadas. Parava o que estava a fazer para fazer outra coisa. O corpo descansava um pouco, mas a mente continuava ocupada. Nunca havia um momento em que tudo parava realmente.
Quando me sento no banco sem objetivo, algo diferente acontece. Não estou a consumir nada. Não estou a produzir nada. Não estou a melhorar nada. Estou apenas ali, com o que está ali. E isso, por alguma razão, parece importante.
Não faço isto todos os dias. Há dias em que o tempo parece escasso e não consigo justificar sentar-me sem fazer nada. Mas quando consigo, noto uma diferença subtil no resto do dia. Não trabalho mais rápido nem melhor. Mas trabalho com menos sensação de urgência. Como se o dia tivesse mais espaço dentro dele.
Não é sobre mindfulness
Não chamo a isto meditação nem mindfulness. Não sigo nenhuma técnica. Não conto respirações nem observo pensamentos. Apenas sento-me e deixo que o que quer que esteja a acontecer aconteça. Por vezes, a mente fica quieta. Por vezes, continua barulhenta. Ambas as coisas são aceitáveis.
O que importa é que existe um momento no dia em que eu não estou a tentar ser útil, produtivo, interessante ou qualquer outra coisa. Estou apenas a ser alguém sentado num banco, a olhar para uma trepadeira.
Se tiver vontade de experimentar, talvez encontre um lugar perto de si onde possa sentar-se sem nada para fazer. Pode ser um banco de jardim, uma cadeira à janela, o degrau da entrada de casa. Não precisa de ser bonito nem inspirador. Basta ser um lugar onde possa estar sem ter de fazer nada durante alguns minutos. Veja o que acontece quando o corpo percebe que não há mais nada para resolver.